WyaKomNet - Estudo de caso

911

O meu contrato com a Gerasul S/A estava recém-concluído, com êxito, mas ainda assim concluído. Por causa do momento de ociosidade, eu estava tranquilo em minha salinha na InterCorp quando meu monitoramento de falhas sinalizou um erro, alguns serviços que fazia para um cliente haviam saído do ar e eu buscando as causas do ocorrido e intrigado porque o próprio cliente não havia sinalizado a falha.

Era onze de setembro e a matriz do cliente era nos EEUU e logo o momento de tranquilidade ociosa se transformou e estávamos todos pensando que era o início do fim do mundo, quando aqueles aviões derrubaram o World Trade Center em setembro de 2001. Os norte-americanos estavam com sangue nos olhos buscando onde despejar as milhares de bombas que eles tinham no estoque. Piadas à parte, pra derrubar um serviço os árabes derrubam o "brédio".

 

Anúncio de emprego

Neste momento histórico se situa um anúncio de vaga de emprego em uma empresa de tecnologia interessante. O anúncio chamava candidatos para "Programador PHP", "DBA Oracle" e "Gestor de sistemas operacionais". Prontamente me candidatei já que poderia assumir qualquer das posições. Qual foi a minha surpresa quando fui entrevistado por Flávio Gonsalves de Oliveira, alguém que havia me chamado pejorativamente de rei da cocada preta anos antes.

Expliquei quem eu era e nosso último encontro, ele até se desculpou, mas isso era passado e eu me ofereci para ocupar as três posições simultaneamente e ele aceitou de primeira. Acontece que, o rei da cocada preta poderia ter salvado um ótimo cliente que ele não pode atender porque justamente faltava quem preparasse a receita do côco.

 

O paciente na UTI

Trabalhei com o Flávio por vinte meses. Nos primeiros meses estabilizei um paciente em estado crítico pois haviam sido demitidos sete funcionários descontentes que não prepararam um dossiê sobre suas funções, quais clientes eram atendidos, como era feito o serviço e onde estariam os dados para a continuidade do atendimento.

 

Assim que passou o risco de perder a clientela por falta de organização e método organizei um fluxo de trabalho onde os remanescentes puderam focar seus esforços de maneira mais produtiva e pudemos então oferecer mais e melhores serviços. A clientela não era assim uma coisa simples de se administrar, tipo Banco Itaú, Prefeitura Municipal, TIM, grandes distribuidoras entre outros.

Gerente de projetos

No final das contas eu já não fazia nenhuma das três funções combinadas na contratação, pouco programava, pois, tinha outros colaboradores que o faziam por mim e o datacenter pouco trabalho dava. Minha função era principalmente mediar as reuniões para que o que o proposto fosse factível e gerir as equipes para obterem resultados que surpreendessem os clientes. 

Apogeu e queda

O título é forte, até demais, mas não me veio outro sinônimo na cabeça. O trabalho na WKN deu tão certo que ela cresceu em número de clientes, rentabilidade e confiabilidade. Eu louvo a Deus que meu trabalho tenha trazido benefícios e o time tenha crescido maduro e focado.

Cresceu tanto, tão rápido e bem que... O Flávio vendeu a empresa. Bom pra ele, mas poderia ter conversado com os colaboradores e todos ficaram assustados com a notícia, e com razão. Não que fizesse alguma diferença na comercialização da carteira de clientes ou na mudança de endereço, sei lá. Eu fui um dos primeiros a saber e o soube por um funcionário da empresa compradora e antes de pensar em transmitir o ocorrido, me reuni com o Flávio e tivemos um acalorado debate sobre o destino de todos.

Assim, resolvi deixar a empresa. Escrevi uma carta de demissão dando as garantias que achamos justo, entreguei um CD com todos os dados do meu computador e me despedi dos demais colegas e fui para casa desolado. Eu me sentia abandonado, um sentimento de perda enorme, a perda de minha dignidade e importância.

A WKN foi absorvida por uma empresa de telecomunicações, o datacenter foi desmontado, todo o trabalho de gestão de equipe foi perdido e consequentemente os clientes ficaram insatisfeitos. Sem dúvida eu teria tomado outra decisão, mas respeito a escolha. Continuei em contato com todos, o contador foi vender uniformes, os designers montaram uma empresa própria e o Flávio voltou a fazer o que melhor faz, consultoria em vendas. Ninguém recebeu qualquer indenização trabalhista, eu deixei quieto.

Chegando em casa, ainda triste com o acontecido, eu queria contar a novidade para alguém e fiz uma única ligação para meu amigo Raul Alberto Millan, um hoteleiro paraguaio nascido na argentina, naturalizado brasileiro que havia comprado o direito de comercialização de um site de hotelaria que eu havia feito, o OndeHospedar.

Eu queria apenas contar a novidade, mas ele disse, vem trabalhar comigo, e eu fui.